Barrados no Braille

Crônicas, crítica de mídia, links e muito mais.

Escrevi uma crônica com esse mesmo título, há alguns anos. Desde então, percebi que já poderia ter escrito centenas delas, com esse mesmo título. Assisti às engrenagens do mal, na sua faina de se superar; vi, no meu país, a força das veias da maldade, ganhando espaço e vigor.

A mídia comercial decidiu que os nomes do mal não serão mais publicizados. O mal não terá senão, as letras da sua sílaba fatídica. O mal não terá seus rostos espostos, nem será conhecida sua identidade.

O mal celebrará sozinho o repasto macabro que engendra, nas creches, nas escolas, nos cinemas, nas igrejas, nos templos.

E nós? entrincheirados dentro da nossa tristeza profunda, faremos silêncio por entre as lágrimas; faremos precesduras de desespero; velaremos os pequenos corpos vitimados.

Somos reféns do que o mal prepara, na sua cozinha maldita. “Que Deus nos proteja”, diria minha mãe. Peso suas palavras, procuro seu vigor, mas estou tão triste”… Que Deus nos proteja, digo eu, tentando aplacar todas as fibras dessa dor coletiva que vibra, em todos os poros da sociedade.

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A autora

Uma ilustração digital em close-up de Joana Belarmino sorridente com cabelos castanhos um pouco ondulados. Ela tem um sorriso caloroso e olhos castanhos. No topo da cabeça, ela usa óculos de sol pretos e um brinco de pérola pendente está visível na orelha esquerda. O estilo é de uma pintura digital suave e detalhada.

Joana Belarmino

Escritora e cronista

Escreve há mais de dez anos sobre deficiência visual, acessibilidade e as cidades que ainda precisamos construir.