Barrados no Braille

Crônicas, crítica de mídia, links e muito mais.

 

 

Que queres que te diga? Fomos escutar o rio,  aquele caudal discursivo de milhares de quilômetros, fala líquida e universal, ora calma, ora encapelada, a bramir sua força, a desdobrar sua multiplicidade de cheiros, cheiros inventados entre o limo e a terra, cheiros de vida e de morte, entrecruzadas.

Depois, no Forte de São José, que deveria se chamar Forte dos Negros, tocamos na pedra desbastada enquanto no meu íntimo, encenou-se novamente o tear da morte, vida despedaçando-se naquelas altitudes, quando tudo ainda era força de mão de obra, suor e sangue.

E ali, perto da floresta que não pudemos ir visitar, teci no meu coração, um refúgio de floresta outra,  onde houvesse grama verde e cheirosa, e onde o rio ainda pudesse entoar para mim, uma canção de ninar.

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A autora

Uma ilustração digital em close-up de Joana Belarmino sorridente com cabelos castanhos um pouco ondulados. Ela tem um sorriso caloroso e olhos castanhos. No topo da cabeça, ela usa óculos de sol pretos e um brinco de pérola pendente está visível na orelha esquerda. O estilo é de uma pintura digital suave e detalhada.

Joana Belarmino

Escritora e cronista

Escreve há mais de dez anos sobre deficiência visual, acessibilidade e as cidades que ainda precisamos construir.