Barrados no Braille

crônicas, crítica de mídia, links e muito mais.


  • Anônimos do Mundo

    Chegam de todos os cantos, como num aluvião. Portas e janelas fechadas, travas e correntes, nada disso importa. Invadem a sala,  espalham-se pelos quartos, derramam-se pela varanda e cozinha. Do mar da Malásia, num átimo de segundo, tão rápido quanto a velocidade da luz, invadem minha noite com sua estranha perplexidade, suas lágrimas, sua angústia,… Continue reading

  • Rumo ao Futuro

    Nesse carnaval, aproveitei para me abstrair da folia, do agito, do samba. Fiquei em casa fazendo coisas triviais, sem a pressa dos dias normais de trabalho, sem o piloto automático, maravilhada pelo silêncio da minha rua, somente quebrado pelo canto dos pássaros, nas árvores vizinhas. No domingo, escutei o barulho de uma máquina de carpintaria,… Continue reading

  • Jornalismo de Formigas?

    Brinco as vezes com meus alunos de Teorias do Jornalismo, dizendo que as formigas também fazem notícias. O noticiário do formigueiro é seletivo, econômico, provavelmente não chegue a contar com um dicioformigário com dez signos completos: toque de antenas, danças, tudo sendo registrado pela fina linha dos feromônios, espécie de telégrafo orgânico a regurgitar informações.… Continue reading

  • Entre Estampidos e Rojões: Proteção para os Jornalistas

    Em queda livre, rumou para a morte ainda segurando a câmera, narrando o fato com sua polissemia de imagens, confusão de vozes, gritos e explosões,  aclarando as sílabas incontestes do acontecimento. Santiago Andrade é  sem sombra de dúvidas o ícone midiático da semana. Alguns podem pensar: estava no lugar errado, na hora errada. Não, isso… Continue reading

  • Infância Eterna

    Porque a morte não é senão, essa imensa planura, onde o silêncio deita-se para dormir sua infância eterna, isenta de sentidos. Continue reading

  • Por que não te Calas, Asha Mirje?

    Hoje eu venho falar sobre sexo com você, garota 5.0. E venho indignada, e venho disposta a abrir as comportas do meu incômodo, desarrolhar todas as perguntas que precisam ser feitas. Um dia um amigo me perguntou como eu definia uma relação sexual. Como um ato de amor, eu lhe disse. Um ato da mais… Continue reading

  • Um Longo Grito por Justiça

        Tudo na vida da gente envolve um “e se”. Digo isso porque ainda estou impactada pela cobertura de um ano da tragédia da boate Kiss, na cidade de Santa Maria. Impactada pela força da vigília realizada na noite do domingo para a segunda-feira, impactada pelo tamanho da dor das famílias dos 245 mortos.… Continue reading

  • A Oração de ana Maria

    Na manhã de hoje,  enquanto me aprontava para iniciar o dia, escutei na tv, a apresentadora do “Mais Você” fazendo uma oração em defesa do Rio de Janeiro. Não me recordo qual era o santo que ela invocava. Seria Santo Expedito? O certo é que pedia proteção para a cidade maravilhosa. Com sua voz monocórdia,… Continue reading

  • Deus sabe Braille?

        Ontem, enquanto revíamos fotos de Paris, minha irmã Cida me perguntou do que eu mais havia gostado na França. – De tudo, eu disse. Dos passeios, do congresso, das geladas noites embaixo das cobertas ou no calor aconchegante dos restaurantes, do riso aberto do meu amigo Ibrahim, com sua túnica africana, até do… Continue reading

  • Antes de Chegar

    Deitada na minha cama, e pensam que durmo? Que descanso? Deitada na minha cama, as cinco da tarde, quando a nesga de sol, oblíqua e terna amiga que me faz companhia por todos os dias do verão já deixou a quina da minha mesinha de cabeceira, deitada na minha cama, imagino-me em Paris, na mesa… Continue reading

  • Um Longo Dia Branco

      3 de janeiro. Chegar e congelar, de frio e de apreensão. Aeroporto Charles de Gaule, 11 da manhã, três graus negativos, ninguém a nos esperar, desmentindo-se assim as informações recebidas por internete. Silêncio dentro do táxi, corações batendo, de alegria, de receio, de frio. Rue Cambrone, Hotel Ibis, 45 euros, “merci beaucoup”, dissemos as… Continue reading

  • “Le Temp Elastic”

    Pensar no tempo a se estender, segundo a segundo, o tempo dos relógios, dos calendários, dos satélites; pensar no tempo universal, esse grande tapete elástico, e nós, a caminharmos sobre ele, a vivermos cada um a ação do seu tempo, isso me fascina, me faz reflexiva. Segundo a segundo, a mais de um ano, me… Continue reading